Uma pesquisa sobre a percepção dos moradores da cidade do Rio de Janeiro em relação à saúde pública, encomendada pelo Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro, procurou  entender o índice de utilização dos cariocas do Sistema Único de Saúde (SUS) e a avaliação que fazem do serviço prestado,  bem como a frequência com que utilizam o mesmo, além de identificar os principais impasses que resultam numa má experiência ao usar o sistema.

A pesquisa, feita pelo Instituto Insider, foi quantitativa e usou o método de entrevistas pessoais. Foram mais de 200 pessoas acima dos 18 anos de idade entrevistadas durante o mês de julho/2019.

Avaliação dos usuários
Pela amostragem, a população está bastante insatisfeita com a assistência fornecida pelo sistema público de saúde. Em relação ao atendimento no SUS, 54% consideraram como péssimo (24%) ou ruim (30%). Entre os pontos negativos, foram destacados: número reduzido de médicos para atender a grande demanda, déficit de equipamentos e aparelhos, falta de medicamentos e curativos e demora na marcação de consultas, exames e procedimentos.

As unidades mais bem avaliadas foram os postos de saúde e a clínica da família. E os piores foram as emergências/urgências e os hospitais. Sobre os postos de saúde, 59% e 2% avaliaram como ótimo ou bom. Para 47% e 2% dos entrevistados, as clínicas da família são boas e ótimas. Já as UPAs foram consideradas como boas e ótimas por 38% e 1% das pessoas. Com relação aos hospitais e às emergências/urgências, respectivamente, 22% e 17% consideraram como bons.

Sobre o Sistema de Regulação de Vagas (Sisreg), 30% dos entrevistados, principalmente entre os moradores da Zona Oeste (51%), disseram ter algum parente, amigo ou mesmo um conhecido aguardando por uma cirurgia ou exame na fila. Cinquenta e nove por cento (59%) declararam que não conheciam ninguém nesta situação e 8% não souberam dizer. Três por cento (3%) informaram que não sabiam o que era o Sisreg. Quanto à experiência positiva no SUS, a população citou a agilidade e o bom atendimento da equipe médica

Idosos os mais prejudicados
Em relação ao tempo que ficam aguardando por um atendimento no SUS, a percepção é de que a população idosa é a mais prejudicada. Do total, 43% disseram que os idosos são os que ficam mais tempo esperando para serem atendidos, seguido dos adultos (30%) e dos bebês/crianças (2%). Pouco mais da metade (ou 56%) dos entrevistados que tem um plano de saúde, disse que manteria seu plano de saúde mesmo que o SUS passasse a prestar um atendimento mais acolhedor e eficiente. Já 37% optariam por cancelar seus planos de saúde e utilizariam o sistema público.

Perfil dos entrevistados
Sobre o perfil sócio demográfico da amostra, é possível destacar que: as mulheres representam ligeira maioria: 53% contra 47% de homens; a idade média dos entrevistados é de 41 anos – 23% têm de 31 a 40 anos e 21% têm de 41 a 50 anos –; a renda familiar média é de R$ 6.360; a maior parte é de classe C (46%) e outra boa parte é de classe B (36%). Já a classe A representa apenas 5% e 13% são de classes D/E.

Ainda sobre o perfil dos entrevistados, 39% eram moradores da Zona Oeste, 32% da Zona Suburbana*, 16% da Zona Norte**, 10% da Zona Sul e 3% do Centro da cidade. Sessenta e dois por cento (62%) são casados, 30% são solteiros, 7% são separados e 1% é viúvo. Em relação ao grau de instrução, 56% têm até o ensino médio completo, 22% possuem uma graduação completa e 22% têm o ensino fundamental completo ou incompleto. Trinta e dois por cento (32%) estão empregados em empresa privada, 23% são profissionais liberais, 13% são aposentados ou pensionistas, 12% são empregados em empresa pública e 9% são donas de casa. Sessenta e nove por cento (69%) dos entrevistados têm filhos e 65% não têm plano de saúde – 35%, naturalmente, possuem. Para a Zona Suburbana*, a pesquisa considerou moradores dos bairros Pavuna, Irajá, Madureira, Ilha do Governador e Complexo da Maré. Já para a Zona Norte** foram considerados residentes dos bairros Méier, Tijuca, Rio Comprido e São Cristóvão.