Editorial

Afonso Fernandes Rocha - Presidente do CRO-RJ
Fevereiro / 2012
É necessário que a Odontologia se UNA contra a exploração

Cumprindo o papel que nos cabe, apresentamos o layout da campanha que o CRO-RJ irá iniciar em breve.

Em diversos estados têm ocorrido reuniões e cresce a articulação dos profissionais da odontologia contra a exploração promovida pelas operadoras.

Na Bahia, por exemplo, já ocorreram diversas reuniões dos interessados e há uma efetiva movimentação na busca da solução para o problema que atinge toda a classe, estando inclusive marcada a data para uma assembléia que vai definir os rumos a serem tomados.

No Rio de Janeiro, podemos dizer que o movimento está mais avançado em Macaé, onde cerca de 60% dos colegas parou de atender alguns convênios.

Tivemos a oportunidade de comparecer a algumas reuniões nessa cidade, e há o entendimento da categoria no sentido de conjugar os esforços e parar o atendimento, para que o objetivo seja alcançado.

Entretanto, alguns aspectos precisam ser definidos.

Não se questiona que alguma atitude precisa ser tomada. Esse é o entendimento de todos os cirurgiões-dentistas.

Porém, a maioria permanece inerte, à espera que alguém faça alguma coisa, na ilusão de que será beneficiada caso haja mudanças favoráveis.

Isso se deve ao receio de sofrer retaliações por parte das operadoras, em virtude da participação do movimento em busca de melhores condições de remuneração.
O que ocorre é o temor do descredenciamento por parte dos profissionais e o espaço por eles ocupado ser preenchido por outros, piorando ainda mais a situação em que se encontram.

Porém, o único interessado nesse tipo de movimento é o próprio cirurgião-dentista, pois o que interessa ao paciente, como segurado, é continuar a gozar o benefício, não se importando se o profissional é remunerado ou não da forma devida.

Da mesma forma, as empresas, que contratam as operadoras para atender aos seus funcionários, tem o único interesse de proporcionar esse benefício, que se agrega a outras vantagens oferecidas, como o convênio médico. Como se vê, as empresas contratantes também não se preocupam se o cirurgião-dentista é mal ou bem remunerado.

Por sua vez, as operadoras, na condição de intermediárias, tem o objetivo de negociar os planos de modo a cobrir um número cada vez maior de segurados, por valores cada vez menores, para concorrer com as congêneres. Como qualquer empresa, o que interessa às operadoras é ter lucro crescente, o que na prática significa remunerar pelo mínimo valor aquele que efetivamente presta o serviço, não lhes interessando se o CD é pago condignamente.

Como se conclui, o único interessado na remuneração do cirurgião-dentista é ele mesmo, razão de estarmos preparando uma campanha publicitária a ser deflagrada inicialmente em alguns municípios e depois, em todo o estado.

Aqueles colegas que insistem no falso conforto da inércia e sem querer correr riscos, acabarão por prejudicar os que buscam mudar o cenário em que se encontra a Odontologia nacional.

Cada um decide de que lado deve ficar.



Afonso Fernandes Rocha
Presidente


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