Editorial

Janeiro / 2009
Onde isso vai parar?

Sempre que um Cirurgião-Dentista pratica um ato que mancha a sua honra, a conseqüência prejudicial não recai apenas sobre aquele que praticou o ato em si, porque para a coletividade, desacredita todos os membros da categoria.

Com o título acima, o jornal O GLOBO dedicou uma página inteira da edição de 17 de dezembro ao sentimento de perplexidade e indignação causado na população pelo desvio de donativos destinados às vítimas das enchentes em Santa Catarina.

Na reportagem, o professor de ética e filosofia da Unicamp, Roberto Romano, diz que o comportamento de juízes, políticos e empresários que advogam em causa própria, incentiva no País ações como as dos soldados e voluntários que roubaram alimentos e roupas doados a quem perdeu tudo nas enchentes.

Para a professora titular de Psicologia Social da PUC de São Paulo, Ana Bock, tem faltado ao cidadão "um choque de compromisso", pois os vínculos sociais estão muito desgastados, seja no trânsito ou num atendimento qualquer.

João Ubaldo Ribeiro, ao abordar o triste episódio acima e a desonestidade no Brasil na crônica "Somos todos ladrões?" de 21 de dezembro, também no jornal O GLOBO, observa que é interessante esse negócio de "o brasileiro" nunca incluir quem está fazendo a crítica. Ele pessoalmente é honestíssimo, mas o brasileiro é desonesto por natureza.

Na matéria jornalística com que iniciamos este editorial, o coordenador de campanha e urgência da Cáritas, Valtélio Pasa, disse que isso acontece por causa da ganância e deve despertar nas pessoas a seguinte pergunta:
- Como está a minha ética? Como está a minha posição diante do mundo?

Se essas reflexões devem ser feitas por todos os cidadãos, acredito que nós, cirurgiões-dentistas, devemos ainda nos perguntar:
- Como anda a minha participação nos assuntos de interesse da categoria?
- Tenho apresentado propostas para corrigir o que considero equivocado nos locais em que trabalho?
- Tenho conversado com os colegas do prédio, do posto de saúde, da clínica ou do hospital, sobre os problemas que nos incomodam e incentivado a busca de soluções?
- Qual a atitude que tenho adotado, com relação a colegas que de modo habitual têm conduta anti-ética?
- Exploro colega nas relações de emprego?
- Desvio paciente de colega?
- Mantenho atualizados os conhecimentos profissionais, técnico-científicos e culturais, necessários ao pleno desempenho do exercício da odontologia?
- Tenho praticado atos que impliquem em mercantilização da Odontologia ou sua má conceituação?
- Anuncio propaganda inteira ou parcialmente falsa ou em desacordo com os princípios éticos?
- Diante de um dilema ético, costumo recorrer ao Código de Ética Odontológica, para fundamentar a minha decisão?

É importante lembrar que a Odontologia é vista pela sociedade através das ações que cada um dos seus profissionais pratica no dia a dia.

Sempre que um Cirurgião-Dentista pratica um ato que mancha a sua honra, a conseqüência prejudicial não recai apenas sobre aquele que praticou o ato em si, porque para a coletividade, desacredita todos os membros da categoria.

Afonso Fernandes Rocha
Presidente


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