Editorial

Dezembro / 2009
As Ações Individuais do CD e sua Repercussão sobre a Classe

A constante vigília é fundamental para prevenir eventuais conseqüências desabonadoras para a Odontologia.

A imprensa tem destacado o caso de um cirurgião-dentista que teria extraído desnecessariamente todos os dentes de um jovem.

Trata-se de um adolescente que precisaria ter apenas dois molares extraídos e pela sua condição de paciente com necessidades especiais teve indicação para o emprego da sedação.

De acordo com as notícias publicadas, a mãe do menor não foi informada sobre o procedimento a ser feito, nem autorizou a sua execução, sendo surpreendida ao ver o filho completamente edentado.

O fato acima vem sendo motivo de comentário no meio odontológico e principalmente fora dele, devido à forma como as informações da questão têm chegado a todos.

Emissoras de rádio e televisão, além da maioria dos jornais, dedicaram espaço ao caso, tendo sido entrevistados, entre outros, diversos componentes de entidades de classe, que se depararam com perguntas quase sempre sensacionalistas e de difícil resposta, envolvendo, na maioria as vezes, a cassação do diploma, a perda do direito de exercer a profissão, chegando a ser perguntado o que pode acontecer com o profissional envolvido.

Não se trata aqui de proteger quem quer que seja, mas é pouco sensato emitir opinião sobre um caso que se conhece de modo superficial e apenas na versão de um dos lados. Nessa condição, podem ser formuladas apenas hipóteses que confundem mais do que esclarecem, além de significarem um pré-julgamento, com todos os ingredientes para acarretar grave prejuízo para o cirurgião-dentista envolvido, pois o caso ainda não foi esclarecido.

O que nos causa particular perplexidade é o tempo dedicado às especulações sobre o assunto e o número de pessoas ouvidas em entrevistas, no chamado horário nobre da televisão, que bem sabemos, possui o custo por segundo mais elevado de toda a programação.

Temos conhecimento de valores financeiros, porque sempre que o CRO planeja divulgar um fato de interesse da categoria e para a sociedade em geral, temos que recorrer a matérias pagas, pois as empresas jornalísticas, exceto em raras situações, não manifestam interesse em tais notícias.

Nessas situações, os elevados valores cobrados nos obrigam a percorrer diversos órgãos de comunicação, até conseguirmos encontrar condições de pagamento que estejam ao alcance do CRO.

O relato que aqui fazemos se deve à necessidade de todos os colegas refletirem sobre a repercussão que notícias negativas envolvendo a Odontologia tomam perante a sociedade.

Todos nós somos atingidos por essa exposição, que pelo seu conteúdo, causa impacto negativo, que perdura por longo prazo e causa efeito devastador.

Se por um lado se sabe que as notícias desfavoráveis tem capacidade de penetração muito maior do que as boas notícias, por outro, é também certo que as boas ações ou vitórias são sempre vistas como de caráter individual, ao passo que atos negativos ou erros são atribuidos a toda a classe.

A constante vigília é fundamental para prevenir eventuais conseqüências desabonadoras para a Odontologia.

Essa deve ser a preocupação de todos, além da indispensável cautela para não emitir palpites sem fundamento, que acabam por semear mais insegurança em nossos pacientes e na sociedade como um todo.

Afonso Fernandes Rocha
Presidente


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