
Dos 2.326 servidores da Anvisa, 1.251 são mulheres, o que corresponde a mais da metade dos funcionários da instituição. Esta participação, no entanto, é diferente do que ocorre nas esferas municipais e estaduais de vigilância sanitária. De acordo com o Censo Nacional dos Trabalhadores de Vigilância Sanitária, no Brasil, realizado em 2004, 57% dos 32.135 funcionários dos municípios, estados e União são homens.
Para a professora
da Universidade Federal da Bahia, Ediná Alves Costa, considerada uma
das maiores autoridades em Vigilância Sanitária do país,
é difícil explicar os motivos da predominância masculina
na área. "Na saúde em geral, a maioria das profissões
já são tidas como do sexo feminino, como enfermagem e nutrição",
avalia. "O motivo dos homens serem em maior número na área
de Vigilância Sanitária pode estar relacionado ao fato de, também
no setor de saúde, existir profissões com predominância
masculina, como medicina veterinária e biologia", complementa.
Leia
entrevista completa de Ediná Alves
Ediná,
que é médica veterinária e doutora em saúde pública,
está realizando uma pesquisa sobre a história da Vigilância
Sanitária no Brasil. Uma das constatações é que
os dirigentes sempre foram homens. "Apenas a partir dos anos 80 é
que a mulher começa a se sobressair e, somente agora, nos anos 2000,
é que aparece uma mulher na diretoria do órgão máximo
da Vigilância Sanitária, que é a Anvisa", conta a professora.
A pesquisadora se refere à farmacêutica-bioquímica Maria
Cecília Brito, primeira mulher nomeada para a Diretoria Colegiada da
Anvisa, em janeiro de 2006. Para Maria Cecília, as instituições
só têm a ganhar com a gestão feminina. "Todos os dias,
o modelo da família nos obriga a recomeçar. Isto faz com que nos
acostumemos não só a perder, mas também a ser incansáveis
no recomeçar. Outro ganho, é trazer o afeto entre as pessoas que
trabalham conosco", argumenta a diretora da Anvisa.
Saiba
mais sobre a primeira diretora da Anvisa
As mulheres na Anvisa não são somente maioria, como ocupam a maior
fatia dos cargos de confiança. Dos 339 cargos comissionados da Agência,
180 são ocupados por mulheres. Nos cargos de chefias, elas respondem
por 60 postos, enquanto os homens por 48. Entre as 15 gerências-gerais,
sete estão sob a chefia feminina.