
A clínica médica onde uma mulher de 27 anos morreu na mesa de cirurgia para uma lipoaspiração não possui licença da Prefeitura de São Paulo para funcionamento. A Master Clin precisa apresentar documentação de regularização até dia 12 para não ser interditada e emparedada.
Regiane Aparecida Elizabeth Bauer Lopes morreu após sofrer uma parada cardiorrespiratória. A morte foi registrada por volta 11h30 do último dia 31, na unidade do hospital localizada no Jardim Santa Adélia (zona leste de São Paulo).
De acordo com a Subprefeitura de São Mateus (zona leste), o processo de regularização do licenciamento foi indeferido no dia 5 de fevereiro de 2008. Na quinta (5), quando completou um ano do indeferimento, a prefeitura fiscalizou o local e deu um prazo, até dia 12, para o estabelecimento entregar o ato de licença de funcionamento.
No Cremesp (Conselho Regional de Medicina de São Paulo) há um cadastro onde todos os estabelecimentos da área médica têm de realizar anualmente. Para esse registro, é necessário apresentar documentos que comprovem a licença para funcionamento. No Cremesp, esse cadastro da Master Clin não foi renovado em 2008.
Na semana passada, uma equipe da Vigilância Sanitária Estadual esteve na clínica e realizou autuações no local. Os detalhes da inspeção não foram fornecidos pelo órgão.
Vítima
Regiane economizou por mais de dois anos para fazer a lipoaspiração --que custa de R$ 3.000 a R$ 5.000. Ela morreu no início do procedimento cirúrgico.
De acordo com a Polícia Militar, os policiais foram até a clínica após receber uma ligação, na manhã do dia 31, para atender um caso de "desentendimento". A ligação foi feita por funcionários da Master Clin que pediram a presença da polícia com medo de represália dos familiares de Regiane. Ao chegarem à clínica, os policiais foram informados da morte.
Paulo Sanches, enfermeiro técnico responsável pela Master Clin, informou na ocasião que "a cirurgia correu bem até um determinado ponto". "Depois de mais de duas horas de cirurgia, a jovem teve uma "parada' e não reagiu aos procedimentos aplicados. A saúde dela estava bem. Os exames pré-cirúrgicos não apontaram alterações."
A família de Regiane vai processar a clínica e o médico Jayme Bulhões, que realizou a cirurgia. Serão dois processos, um na área cível, por danos morais e materiais, e outro na área criminal, que vai depender dos resultados da investigação da Polícia Civil.
O caso foi registrado no 69º DP (Teotônio Vilela), que já começou as investigações. A polícia enviou ofício para a Vigilância Sanitária para obter informações sobre a clínica. Fonte : Folha On Line