
Fim do ano registrou uma queda de 50% no volume de doações. Alimento pode salvar as vidas de muitos bebês prematuros
Rio - Tempo de comemorações e férias para a maioria das pessoas, o fim de ano pode se tornar dramático para quem depende dos bancos de leite humano. Nessa época, o volume de doações - que são de vital importância para muitos prematuros e bebês com alergia alimentar - cai em até 50%. No banco de leite do Instituto Fernandes Figueira (IFF, da Fiocruz), a média diária passou dos 12 a 15 litros em outubro, para 7 a 8 litros este mês.
Segundo a pediatra
do Instituto Iza Y. de Souza, a chegada das férias afasta as doadoras.
"Os estoques só não ficam totalmente zerados graças
à campanha da Semana Mundial de Aleitamento Materno, promovida ainda
em agosto, que garante o abastecimento para os meses seguintes", diz.
Iza ressalta que doações podem ser feitas em qualquer um dos 196 bancos de leite do Brasil. A candidata passa por uma avaliação e, se estiver saudável, pode fazer a retirada do leite dos seios no próprio IFF. O leite também pode ser retirado em casa. Basta armazená-lo em recipiente de vidro com tampa plástica, esterelizado, e colocá-lo no refrigerador. Bombeiros que atuam junto ao IFF realizam a coleta dos recipientes em domicílio.
"O leite servirá para ajudar os bebês nas UTIs, que correm risco de vida, têm baixo peso ou são prematuros, e cujas mães por algum motivo não podem amamentar", afirma.
Iza explica ainda
que cada mãe produz em média três vezes mais leite que o
filho consome, e o excesso pode endurecer os seios e até causar dor.
É o caso da 'mãe de primeira viagem' Mayra Coelho Jucá,
33 anos, que recorreu ao IFF porque sua filha tinha dificuldade para sugar e
lá descobriu que poderia ajudar outras crianças: "Eu vim
buscar informação e acabei sendo útil para outros bebês."
Cláudia Maria Ferreira deu à luz um menino há 28 dias e
passou pelo mesmo problema. "Aqui tive toda a assistência. Minha
forma de retribuir é doar o que uma mãe tem de mais precioso",
diz.
Milhares de bebês beneficiados
Além de receber leite, o instituto também carece de doações de frascos com tampas plásticas - como os de maionese ou café solúvel. O importante é serem de vidro, pois passam por um processo de esterilização. Pelo telefone (0800-267788) é possível agendar a entrega dos recipientes ou mesmo se informar sobre como deixá-los nos postos de coleta.
Em 2008, o Ministério da Saúde atendeu 1,35 milhão de mulheres, arrecadou e pasteurizou cerca de 135 mil litros de leite humano, beneficiando 140 mil recém-nascidos. Para a Organização Mundial de Saúde (OMS), a rede de bancos de leite tem se mostrado uma estratégia eficaz para a redução da mortalidade infantil.
No Instituto Fernandes
Figueira há 300 doadoras cadastradas. O leite doado atende a 60 crianças
por dia nas UTIs Neonatais.
Fonte : Jornal O DIA