Surto de Micobacterias no Rio de Janeiro - o que mudou após 1 ano

O sucesso alcançado com a palestra realizada por ocasião do 8 de março - Dia Internacional da Mulher - em 2007, motivou a Comissão Especial da Mulher Cirurgiã-Dentista a retomar o assunto em 2008. Além disso, a permanência de numerosos casos de infecções por micobactérias registrados pelos meios de comunicação, atestam a atualidade de o assunto ser novamente levado à classe odontológica.

Uma nova palestra no auditório do Conselho, no último dia 10 de março levou aos participantes do evento, uma nova série de esclarecimentos sobre as características dos casos registrados recentemente e ofereceu orientação para as medidas de prevenção e controle de infecções relacionadas aos procedimentos cirúrgicos, em especial o cuidado com a desinfecção e esterilização dos equipamentos.

Segundo a palestrante, médica infectologista e epidemiologista, Dra. Marisa Santos, Coordenadora da Comissão de Controle de Infecções Hospitalares do Instituto Nacional de Cardiologia de Laranjeiras e Hospital Pró-Cardíaco, os surtos de infecções têm sua ocorrência registrada após os mais variados tipos de cirurgias. Entre as citadas estão a cirurgias cardíacas porque custam mais a cicatrizar, hemodiálises, artroplastias e os quadros pulmonares, que são de difícil erradicação .

Alertou que os dados não relatam transmissão de pessoa a pessoa, mas aquelas que são inoculadas nos organismos humanos por falta de cuidados adequados com a desinfecção dos ambientes e dos equipamento cirúrgicos.

Cuidados necessários

A palestrante apontou, ainda, onde os erros acontecem com mais freqüência:
· nos instrumentos - que não são limpos adequadamente e como tal também não sã esterilizados, já que a crosta não retirada serve de proteção à bactérias.
· Na contaminação do ambiente ( água, poeira, solo)
· formação do biofilme , por se tratar da fórmula de sobrevivência de microorganismos de várias espécies
· desconhecimento sobre as bactérias não exigentes ( aquelas que crescem em qualquer situação, mesmo as adversas

E, ainda, como prevenir as falhas:
· abolir o método manual de limpeza e desinfecção
· evitar o reprocessamento de descartáveis ( impossibilidade de limpeza)
· cuidados com a limpeza insuficiente ( áreas inadequadas, pessoal despreparado, máquinas obsoleta, ressecamento (crostas) pelo acúmulo de matéria orgânica; falta de acesso a partes dos dispositivos cirurgicos ( desmonte dos instrumentos), umidade residual ( restos de água nos aparelhos lavados).

Questão de cidadania

Para finalizar, a Dra. Marisa Santos destacou que o profissional de saúde precisa estar atento à questão das infecções e como evita-las. "Trata-se de uma atitude de cidadania, que nos leva a pensar onde cada um de nós pode estar relaxando com os cuidados que devo ter não só comigo e com os meus familiares , mas também com as outras pessoas, O que poderemos melhorar em relação à segurança no meu ambiente de trabalho e não estarmos colaborando para novas situações de risco".