
LONDRES - Um estudo australiano revelou que alguns antissépticos bucais podem contribuir para o desenvolvimento do câncer bucal. Os pesquisadores afirmam ter evidências suficientes para indicar que os enxaguantes bucais que contenham álcool podem aumentar o risco de câncer e alertam que os produtos deveriam ter, em suas embalagens, alertas sobre possíveis perigos à saúde.
Em experiências realizadas durante o estudo, o etanol presente nos antissépticos bucais, popularmente conhecidos como 'fluor', permitia que substâncias cancerígenas penetrassem no tecido da cavidade bucal com mais facilidade, o que com uso prolongado acarretaria danos. Segundo o professor Michael McCulloch, da 'Australian Dental Association's therapeutics' , o álcool aumenta a permeabilidade da mucosa a substâncias cancerígenas, como a nicotina. McCulloch afirma que uma substância tóxica derivada do álcool chamada acetaldeído, que se acumula na cavidade bucal, é cancerígena - Nós vemos pessoas com câncer bucal que não possuem nenhum outros fator de risco a não ser o uso de enxaguantes bucais que possuem álcool em sua composição - afirma o pesquisador.
De acordo com o estudo, os antissépticos bucais mais populares possuem concentrações de álcool mais altas que bebidas como vinho ou cerveja. Alguns deles chegam a conter 26% de álcool em sua composição.
O câncer bucal atinge milhares de pessoas a cada ano e metade das vítimas morre em cerca de cinco anos após o diagnóstico. O consumo de bebidas alcóolicas e o fumo já são considerados fatores de risco da doenças. Quanto ao antissépticos bucais, ainda existem controvérsias.
Segundo Neil Hewson, da 'Australian Dental Association' ainda não está totalmente estabelecida a relação direta entre os enxaguantes bucais e o câncer.
No entanto, Hewson afirma que uma pessoa que escova seus dentes corretamente, usa fio dental e possui uma boa dieta não precisaria utilizar um antisséptico bucal. Fonte : Jornal do Brasil