
Em entrevista coletiva na sede do Sindicato dos Hospitais, na tarde desta terça-feira (17), o presidente do Sindicato dos Hospitais, Humberto Gomes de Melo, afirmou que "sobra dinheiro' para o Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo o representante dos locais de atendimento hospitalar, mais de R$ 91 milhões destinados para a Saúde em 2008 não foram utilizados. Desse valor, mais de R$ 52 milhões estariam nos cofres estatais e mais R$ 25 milhões estariam na Prefeitura de Maceió.
Durante a coletiva, Humberto Gomes afirmou que é necessário que haja um reajuste da tabela que o SUS paga aos hospitais. "Caso o serviço público aceitasse um reajuste de 100% na tabela do SUS, não solucionaríamos o problema da saúde em Alagoas, mas certamente minimizaria a péssima situação". Além disso, o presidente criticou os gestores públicos - "É necessário que se tome decisões políticas e melhore a situação de nosso sistema de saúde, pois há dinheiro".
O presidente do Sindicato dos Médicos (Sinmed), Wellington Galvão, em tom de discurso único com o Sindicato dos Hospitais, foi mais incisivo nas críticas aos gestores públicos. "Um dos problemas da atual situação da saúde é a má gestão, existe uma imoralidade nas políticas dos gestores públicos que prejudica a população de Alagoas. Entendemos a situação de quem precisa de atendimento, mas não podemos pagar para trabalhar" - desabafou o sindicalista.
Além das críticas, também foram apresentados dados retirados dos sites do Fundo Nacional de Saúde e do DATASUS, com a movimentação financeira do setor da Saúde em Alagoas. De acordo com a tabela, existe uma quantia de R$ 91.317.763,87, classificada como "ganhos por não produção", que seria a soma de valores de verbas sem utilização em todo o Estado. Desse montante, R$52.756.803,67 estariam com a Secretaria de Estado da Saúde e R$25.861.354,91 com a Prefeitura de Maceió. Ao todo, 50 cidades aparecem com "sobras" na área.
Com esses problemas, a população sofre com o estado caótico da Saúde em Alagoas. O Sinmed já anunciou o descredenciamento do SUS de todos os médicos do sistema de atendimento gratuito, o que significa que cerca de 400 profissionais não estarão mais disponíveis para os que não possuem condições de pagar pelo tratamento. Nesta sexta-feira (20), 50 anestesistas deixaram de atender pelo Sistema Único de Saúde, impossibilitando a realização de cirurgias.
Para ilustrar a
situação, Humberto Gomes deu exemplos dos preços dos procedimentos
médicos realizados pelos hospitais. Segundo ele, numa cirurgia de ponte
de Safena, o SUS paga R$ 5.490,00, mas o custo total do procedimento seria de
mais de R$ 8 mil. Outro caso é na Tireoidectomia (remoção
da tireóide), onde o Sistema Único de Saúde garante R$
242,84, mas o custo seria de R$ 1.682,93, totalizando um prejuízo de
R$ 1.440,09 por cada paciente atendido.
Fonte : Gazeta Web