
Uma parceria entre a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o Sebrae e representantes das indústrias de limpeza quer combater a venda de saneantes ilegais no mercado brasileiro. A idéia é unir esforços para a regularização das micro e pequenas empresas que atuam em desacordo com as normas vigentes no país.
As entidades envolvidas assinaram, nesta quarta-feira (17), uma carta de intenções para formalizar o comprometimento com o projeto. Durante o encontro, foram apresentados os benefícios, perspectivas e desafios de micro e pequenos fabricantes no cumprimento da legislação atual.
Uma das ações propostas pela parceria é disponibilizar profissionais especializados para prestar informações, orientar e capacitar empresas interessadas. "Acreditamos que muitas empresas atuam de forma irregular por falta de conhecimento da lei", afirmou a gerente de produtos saneantes da Anvisa, Tânia Pich. O diretor-presidente da Agência, Dirceu Raposo de Mello, reforça essa posição. "É do interesse da vigilância sanitária a regularização das empresas, pois significa uma melhora na qualidade dos produtos e na proteção a saúde das pessoas", afirmou.
Outro desafio é conscientizar a população dos riscos desses produtos. "O consumidor também pode fazer a sua parte, evitando comprar produtos que não têm registro na Anvisa", lembrou Tânia Pich. A parceria já distribuiu mais de dois milhões de cartilhas de orientação aos consumidores em todo o país. O material também está disponível no site da Agência: http://www.anvisa.gov.br/saneantes/cartilha_saneantes.pdf .
Mercado dos produtos de limpeza
No Brasil, as pequenas e médias indústrias do setor de produtos de limpeza compõem 95% do mercado. O uso de produtos de limpeza clandestinos acarreta riscos à saúde do consumidor e do trabalhador, que manipula esses produtos.
O presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Produtos de Limpeza e Afins (Abipla), Luis Carlos Dutra, destacou os prejuízos que os produtos ilegais podem causar. "Além dos perigos à saúde, esses produtos causam danos ao meio ambiente e são responsáveis por uma concorrência desleal no mercado", afirmou.
O diretor de uma indústria de saneantes, Luiz Fernando Lucas, ressaltou os benefícios da regularização para as próprias empresas. "A regularização também é economicamente interessante, pois permite aos produtores crescer no mercado, vendendo para grandes redes, participando de licitações e expandindo as vendas para fora do país", completou.
Segundo a Abipla,
o faturamento do setor em 2008 foi de R$ 11,4 bilhões, o que representa
um crescimento de 6,5% em relação ao ano anterior. O mercado formal
ainda emprega mais de 20 mil trabalhadores.