
1º - O uso
do oseltamivir (Tamiflu®) em crianças menores de 1 ano de idade
Apesar de a segurança e a eficácia do Tamiflu® (fosfato de
oseltamivir) em crianças menores de 1 ano de idade ainda não terem
sido estabelecidas (e, por este motivo, a bula do medicamento informar sobre
sua contra-indicação), a Anvisa reconhece seu possível
benefício e orienta aos médicos que, ao prescreverem o produto
a esse grupo etário, sigam o que está definido no protocolo do
Ministério da Saúde, ou seja, a decisão sobre o uso do
oseltamivir deve ser tomada em conjunto com a autoridade sanitária local.
Considerando que a influenza apresenta altas taxas de morbidade e mortalidade
em bebês, há, segundo o Center of Disease Control (CDC), indícios
de que este grupo etário possa beneficiar-se do tratamento com o oseltamivir.
Além disso, dados limitados de segurança sobre o uso do medicamento
para tratar a influenza sazonal no 1º ano de vida sugerem que os eventos
adversos graves são raros.
Neste sentido, a Agência divulga as recomendações quanto
à dose divulgadas pelo CDC para o tratamento antiviral com oseltamivir
em crianças abaixo de 1 ano:
Idade / Dose
/ recomendada de tratamento para 5 dias
< 3 meses / 12mg / duas vezes ao dia
3-5 meses / 20mg / duas vezes ao dia
6-11 meses / 25mg / duas vezes ao dia
Uma vez que não
há informações suficientes para estabelecer o uso do oseltamivir
em crianças com menos de 1 ano, incluindo dados sobre doses e reações
adversas, a Anvisa recomenda que os pacientes sejam monitorados cuidadosamente
quanto a possíveis eventos adversos ao medicamento.
- O paciente deverá ser acompanhado, pelo profissional prescritor (atendimento
em nível ambulatorial) e pelo serviço de saúde (período
de internação), quanto ao aparecimento de possíveis eventos
adversos ao medicamento. Recomenda-se uma avaliação clínica
nas primeiras 48 horas e 30 dias após o uso da primeira dose do oseltamivir.
- As suspeitas de reações adversas ocorridas no pós-uso
do oseltamivir devem ser notificadas por meio do sistema Notivisa pelos profissionais
da saúde.
A Anvisa solicita aos profissionais de saúde que notifiquem todas as
suspeitas de reações adversas ao oseltamivir (ou a qualquer medicamento)
nesses pacientes por meio do Notivisa.
Referências
consultadas:
Centers for Disease Control and Prevention - CDC
Protocolo de Manejo Clínico e Vigilância Epidemiológica
de Influenza
Bula - Tamiflu® fosfato de oseltamivir - Roche
Farmacovigilancia intensiva para el manejo seguro de la medicación durante
la Pandemia 2009 de Influenza A (H1N1) - Gobierno de la provincia de Santa Fe
y Organización Panamericana de la Salud/ Organización Mundial
de la Salud.
2 )Alerta SNVS/Anvisa/Nuvig/GGFarm nº 2, de 11 de agosto de 2009
Recomendações sobre o uso de oseltamivir (Tamiflu®) durante a gravidez
As mulheres grávidas
são uma preocupação quanto ao uso do Tamiflu®, uma
vez que não existem dados suficientes do uso do oseltamivir nessas pacientes
para permitir uma avaliação mais adequada quanto ao potencial
do medicamento em causar malformações fetais ou toxicidade fetal
em humanos.
Entretanto, as mulheres grávidas estão incluídas nos grupos
de risco para infecção por Influenza H1N1 (gripe suína)
devido ao fato de apresentarem um risco maior para as complicações
advindas dessa doença.
Desta forma, a gravidez não deve ser considerada uma contra-indicação
no cenário atual.
A Anvisa ratifica a informação divulgada pelo Ministério
da Saúde de que o oseltamivir deve ser utilizado por esse grupo de mulheres
apenas se o benefício justificar o risco potencial para o feto. Neste
caso, a avaliação benefício-risco deverá ser feita
pelo médico responsável.
Além disso, a Agência faz as seguintes recomendações,
se o oseltamivir realmente vir a ser administrado durante a gravidez:
- a paciente deverá ter sua gravidez monitorada até o nascimento
da criança, pelo profissional prescritor (atendimento em nível
ambulatorial) e pelo serviço de saúde (período de internação),
quanto ao aparecimento de possíveis eventos adversos ao medicamento.
Recomenda-se uma avaliação clínica pelo menos nas primeiras
48 horas e 30 dias após o uso da primeira dose do oseltamivir e em até
30 dias pós-parto. Outras avaliações podem ficar a critério
do médico responsável.
- para permitir a identificação de possíveis efeitos teratogênicos,
os dados da paciente deverão ser registrados na ficha de notificação
da doença e, no tempo previsto para o parto, a mãe deverá
ser contatada e se procederá a uma avaliação clínica
da criança recém-nascida.
- as suspeitas de reações adversas ocorridas em qualquer momento
da gravidez, incluindo no nascimento da criança, devem ser notificadas
por meio do sistema Notivisa.
A Anvisa solicita aos profissionais de saúde que, além dos eventos
adversos relacionados à gravidez, notifiquem todas as suspeitas de reações
adversas ao oseltamivir (ou a qualquer medicamento) por meio do Notivisa.
Referências
consultadas:
Centers for Disease Control and Prevention - CDC
Protocolo de Manejo Clínico e Vigilância Epidemiológica
de Influenza
Bula - Tamiflu® fosfato de oseltamivir - Roche
Farmacovigilancia intensiva para el manejo seguro de la medicación durante
la Pandemia 2009 de Influenza A (H1N1) - Gobierno de la provincia de Santa Fe
y Organización Panamericana de la Salud/ ORGANIZACIÓN MUNDIAL
DE LA SALUD.
3º) Alerta SNVS/Anvisa/Nuvig/GGFarm nº 1, de 8 de julho de 2009
Recomendações sobre o uso de oseltamivir (Tamiflu®) durante a gravidez
Estamos em um momento
de pandemia da Influenza A e ainda no período de ocorrência de
gripe comum (Influenza Sazonal). Por este motivo, os pais e profissionais da
saúde devem ficar atentos para a não utilização
de medicamentos contendo ácido acetilsalicílico, em crianças
e adolescentes em especial, para o alívio dos sintomas associados às
infecções virais.
Em relação à infecção pelo vírus H1N1-
Influenza A - pode apresentar uma série de sintomas, tais como: febre,
tosse, dor de garganta, dor de cabeça, dores no corpo, calafrios e cansaço.
A severidade da doença pode variar de média a grave, podendo causar
pneumonia, dificuldade respiratória e morte. Estes sintomas não
são relacionados com a Síndrome de Reye e não deve ser
tratados com o uso de salicilatos.
A causa da Síndrome de Reye ainda não é conhecida. Entretanto,
estudos demonstraram que o uso de medicamentos que contêm ácido
acetilsalicílico no tratamento de doenças virais aumenta o risco
de seu desenvolvimento.
Medicamentos sintomáticos
para a Gripe por vírus:
O ácido acetilsalicílico pertence à classe dos salicilatos,
um grupo de fármacos antiinflamatórios não esteróides
com propriedades analgésicas, antipiréticas e antiinflamatórias.
É utilizado para o alívio sintomático da dor e da febre
e um dos salicilatos mais utilizados no mundo. Também é usado
nos distúrbios inflamatórios agudos e crônicos, tais como
artrite reumatóide, osteoartrite e espondilite anquilosante. Além
disso, o medicamento inibe a agregação plaquetária, bloqueando
a síntese do tromboxano A2 nas plaquetas, possuindo várias indicações
relativas ao sistema vascular.
O uso de salicilatos está contra-indicado nos casos de indivíduos
com asma, úlcera, gastrite, insuficiência renal ou hepática
e sangramentos. Seu uso para alívio dos sintomas da gripe deve ser evitado
em crianças, porque ele está associado com o aumento de risco
para o desenvolvimento da Síndrome de Reye.
Os princípios-ativos ácido acetilsalicílico (AAS), acetilsalicilato
de lisina e salicilamida são salicilatos disponíveis no Brasil
como analgésicos e antitérmicos.
Síndrome de Reye:
A Síndrome
de Reye (SR) é uma doença rara e grave, que normalmente ocorre
em crianças com idades entre 4 e 12 anos, embora possa ocorrer em qualquer
faixa etária. A doença afeta todos os órgãos do
corpo, sendo mais prejudicial ao cérebro e ao fígado, por causar
um aumento agudo de pressão dentro do cérebro e, freqüentemente,
acúmulos volumosos de gordura nos demais órgãos.
A SR é definida como uma enfermidade de segunda fase, pelo fato de ocorrer
com qualquer infecção viral prévia, incluindo a Influenza
A (H1N1), mas com sua freqüência aumentada após exposição
a medicamentos contendo salicilatos.
A síndrome pode ocorrer durante a recuperação de uma infecção
viral ou pode desenvolver-se 3 a 5 dias após o início da virose.
Seus sintomas incluem: vômito recorrente ou persistente, letargia, mudanças
de personalidade como irritabilidade ou agressividade, desorientação
ou confusão, delírio, convulsões e perda da consciência,
exigindo assistência médica imediata. Os sintomas da SR não
seguem um padrão típico, como por exemplo, vômitos nem sempre
ocorrem
Recomendações:
Pacientes com
sintomas de gripe devem seguir as seguintes recomendações:
- Evitar a automedicação e não aceitar indicações
de leigos para o tratamento sintomático da gripe
- Checar na embalagem e na bula os princípios-ativos dos medicamentos
utilizados para ter certeza de que estes não contêm salicilatos
(AAS, acetilsalicilato de lisina e salicilamida);
- Febres e dores podem ser tratadas com paracetamol, ibuprofeno, naproxeno,
dipirona ou outros antiinflamatórios não-esteróides (não
salicilatos), mediante indicação de um farmacêutico (para
medicamentos isentos de prescrição) ou consulta médica;
- Os cuidados indicados, especialmente no caso de crianças menores de
2 anos, podem incluir a utilização de um umidificador e de um
aspirador nasal para auxiliar na limpeza das secreções nasais;
- Caso haja suspeita de infecção de Influenza A (H1N1), procurar
o posto de saúde mais próximo imediatamente;
- Para menores de 18 anos de idade é contra-indicado o uso de salicilatos
em casos suspeitos ou confirmados de infecção por vírus
influenza, por causa do risco de desenvolvimento da Síndrome de Reye.
Na busca pela promoção do uso correto e seguro dos medicamentos, a Gerência de Farmacovigilância divulga essa informação e solicita que:
- Aos profissionais
de saúde que orientem os pacientes e notifiquem a suspeita desta grave
reação adversa (e todas as suspeitas de reação adversa
grave a qualquer medicamento ou aquela que não esteja descrita na bula)
por meio do NOTIVISA;
- Aos usuários de medicamentos que procurem orientação
de um profissional da saúde em caso de dúvidas ou efeitos adversos.
A contribuição de todos é fundamental na constituição
do sistema de monitorização dos medicamentos comercializados no
País, pois o acúmulo de informações norteia as ações
regulatórias no mercado farmacêutico brasileiro.
Referências
Consultadas:
- Centers for Disease Control and Prevention - CDC - (acessado em 24/06/2009)
- National Reye's Syndrome Foundation - (acessado em 24/06/2009)
- Goodman & Gilman. As Bases Farmacológicas da Terapêutica,
11ª edição.
- Protocolo de Manejo Clínico e Vigilância Epidemiológica
de Influenza - (acessado em 08/07/2009) Fonte: Assessoria de Imprensa da Anvisa